
Por José Joacir dos Santos
Quem comanda ou chefia pessoas, em qualquer nível da vida física, tem uma enorme responsabilidade. Além da obrigação moral de guiar, liderar ou governar seus subordinados no caminho correto. Quer você acredite ou não, a obrigação espiritual está conectada com tudo o que fazemos, pensamos, dizemos ou deixamos de fazer ou de dizer ou de pensar. Faz parte do destino da humanidade.
Não tem como separar a vida na terra daquela do céu. O que é produzido aqui, afeta o lado de lá da vida. Quando você assume um cargo de liderança, chefia ou governança, o seu carma pessoal se entrelaça com o carma de todas as pessoas envolvidas naquela atividade. Sim, o carma existe! Os maus chefes acumulam carmas negativos intermináveis e diários. Os bons chefes são agraciados com o carma positivo. Há de existir uma compensação ou uma cobrança em algum lugar ou em algum momento, mas não temos que nos preocupar porque há quem anote cada letra adicionada de um lado ou de outro.
De um modo geral, os nossos carmas se entrelaçam no carma coletivo, familiar, do local onde moramos, trabalhamos, nos divertimos e interagimos. Há uma constituição para reger todo ser humano. Como a moeda de troca na vida é a energia, onde quer que haja o uso da energia vital ocorrem compromissos e responsabilidades, mesmo de quem nada sabe sobre este assunto ou não quer saber, prefere negar. A energia vital está acima de qualquer preferência humana.
Imagine a responsabilidade de uma pessoa que julga, de um juiz, de alguém que tem nas mãos o poder de decidir sobre a vida de outra pessoa. Se a decisão for positiva, acertada, correta, imparcial, maravilha. E se for equivocada, baseada em preconceitos, crenças infundadas, religiões castradoras, ideologias infames ou simplesmente porque a pessoa não gosta de quem está julgando? E quando a pessoa lava as mãos simplesmente porque não quer se envolver, embora tenha o poder nas mãos de libertar ou inocentar? Quem ainda não foi vítima de injúria ou tentativa de difamação e teve uma platéia assistindo sem tomar nenhuma atitude contrária?
Quem tem poder precisa exercitar o discernimento a toda hora. Quando você decide, toda a sua energia física, mental, emocional e espiritual é atrelada a sua decisão, por mais simples que ela seja. A covardia é uma das mais negativas atitudes humanas.
Já trabalhei com vários tipos de pessoas, tanto a nível de colega quanto de chefia. Não é difícil perceber quando alguém está jogando ou tentando jogar no coletivo mais próximo, o seu trabalho, a sombra mal resolvida ou não resolvida de seus problemas pessoais e mentais. É terrível lidar com chefes fracos, incapazes de investigar a verdade. É mais fácil jogar nos outros as maldades do que encará-las dentro de si. É mais fácil sacar o celular para filmar uma pessoa que está se afogando do que pular na água ou simplesmente jogar uma corda para salvá-la. Mas, a vida nos ensina, todos os dias, que os caminhos e atitudes mais fáceis nem sempre são louváveis. Elas podem ser chamadas de covardia, negliência, irresponsabilidade, omissão, negação e qualquer uma delas é uma carga bem negativa que será adicionada ao carma.
Amar uns aos outros, como foi ensinado, é muito difícil de ser posto em prática. Mas, odiar, e empurrar alguém para a fogueira quando se está em um posição de comando ou julgamento, seja lá qual for a decisão íntima, é comprar carmas que podem durar vidas inteiras. Nem sempre podemos acompanhar e identificar os carmas. Mas o universo criou suas leis assim mesmo e é por isso que todos estamos aqui, repetindo vidas, lidando com os mesmos inimigos de sempre. O mais importante é que a justiça divina existe. E acontece, cedo ou tarde.
Tem o caso de um rapaz que foi condenado porque discordava do regime político, social e religioso do seu tempo. O ódia imperava e ele acreditava no amor. Juízes lavaram as mãos e não impediram a sua morte. Poucos gatos pingados tiveram a coragem de protestar e foram obrigados a se esconder no exílio. O sangue correu. O que eles não sabiam, e certamente lamentam há mais de dois mil anos, é que aquele rapaz era o mestre da sabedoria, do amor, o administrador do universo. A injustiça que cometeram certamente tira o sono deles todas as noites pela eternidade. Mas a justiça divina continua e continuará a existir, independentemente do caminho que segue a humanidade.
joacirpsi@gmail.com
01/07/2026
