Por José Joacir dos Santos
É do conhecimento geral o fato da energia ter dois lados, sempre: o positivo e o negativo. Usamos essa nomenclatura por falta de palavras mais precisas para definir essas duas polaridades da força que sustentam o planeta Terra. No nível espiritualista, também faltam palavras para substituir o que é positivo e o que é negativo. Geralmente o lado escuro da força é chamado de negativo e o lado ligado à luz é chamado de positivo. Essa convenção faz sentido porque quem é conectado com o lado negativo da força não gosta da luz.
A Lua é conhecida por não produzir energia própria como o Sol produz. Sua composição energética varia de acordo com a proximidade da Terra e de outros planetas. Tem uma larga influência em muitos aspectos da vida na terra, por exemplo o movimento dos mares e do nosso sangue. Sua força gravitacional se conecta com as águas da Terra, causando o levantamento das marés oceânicas tanto na Lua Nova quando na Lua Cheia. A energia da Lua, refere-se principalmente à sua influência astrológica e espiritual sobre emoções, intuição e o inconsciente coletivo, associada ao feminino, ciclos e renovação, manifestando-se de forma diferente em suas fases e atuando também dependendo da pessoa. Há pessoas mais vulnerárias em cada fase da Lua, especialmente na Lua Cheia. Pode ocorrer insônia, agitação, ciclos menstruais irregulares, intensidade nas emoções. Algumas espécies de animais também sentem a energia lunar como cães, cavalos etc. Médiuns também ficam mais sensíveis na Lua Cheia.
Tudo o que nasce na escuridão da noite está relacionado à energia da Lua, como as flores, não recomendáveis para a fabricação de florais (Dama-da-Noite (Ipomoea alba), Jasmim-Branco, Moonflower (Ipomoea alba), Petúnia Branca, Cenoura-selvagem e Xiphidium caeruleum), mas muito usadas por animais noturnos e para os feitiços. Mas, nada no universo tem só um lado. A energia solar, que ilumina nossas casas e é responsável pela vida na terra, pode matar quando é muito elevada, como nos desertos. É responsável pela evaporação da água em lagos, rios e mares. A energia lunar, fria, produto do reflexo da energia solar nela mesma, pode também ser útil. Para cada fase lunar deve ter uma garrafa própria. Portanto, quem desejar trabalhar com essa energia deve ter quatro garrafas, bem-sinalizadas para não serem confundidas.
Um dos remédios energéticos da energia lunar é chamado de água lunar. Para obter a água lunar, devemos encher de água uma garrava de vidro transparente branco, tampá-la e deixar em lugar onde possa receber diretamente a energia lunar, logo que o Sol se põe. Na Lua Nova, a água pode ser utilizada para “benzer” novos recomeços, novo amor, novo emprego. Com as mãos limpas, a pessoa faz uma oração direcionada à situação do novo recomeço, coloca a água lunar nas mãos e assopra a água, mentalizando a situação. Pode ser borrifada na casa nova antes de se mudar para ela, sempre na intenção de lavar o que estiver grudado na casa, que não nos pertence. Dias depois, outra cerimônia de limpeza na casa, desta vez com a energia solar deve ser realizada, sendo invocada para atrair a prosperidade. Não tomar banho com a água lunar, em nenhuma das fases.
Na Lua Crescente, que é a fase mais positiva da Lua, orações devem ser feitas, em voz alta, e a água lunar é borrifada no ambiente invocando o crescimento, a evolução, a cura de pessoas ou situações. A Lua Cheia deve ser apreciada, ao vivo, enquando orações são feitas para que a energia lunar, nesta fase, proporcione abundância, força, clareza da vista, a fertilidade. Podemos também mandar, através da Lua Cheia, boas energias para pessoas distantes, familiares ou amigas, e para que pessoas inimigas e negativas sejam iluminadas, banhadas, lavadas, para que mudem de atitude e sejam encaminhadas para a luz solar. A Lua Crescente é propícia para se fazer magia positiva, também conhecida como magia branca.
A Lua Minguante é a mais negativa possível. A magia negativa usa essa fase da lua para diminuir, adoecer, enfraquecer as pessoas de suas malquerenças. Já a pessoa que trabalha com a luz usa a mesma energia para banir de sua vida as coisas e pessoas negativas, encerrar ciclos. Com as mãos limpas, lava novamente as mãos com a água lunar. Invoca-se a pessoa ou a situação negativa e borrifa-se a água lunar na direção desejada. Há, na Índia, grupos religiosos cujos membros não saem à rua à noite durante a Lua Minguante. Outros grupos intensificam as orações nessa fase para diminuir o poder do lado negativo da força.
Não se brinca com energia. Para trabalhar com as fases lunares é preciso que a pessoa seja bem-preparada espiritualmente e tenha estreito contato com seus anjos da guarda.
O budismo festeja a lua cheia em certas datas do calendário astrológico como a Lua de Wesak, chamada de Lua do Buda. Ela representa compaixão, perdão e aceitação. Uma oportunidade poderosa de se conectar com sua espiritualidade positiva. Quase todas as religiões e seitas indianas tem alguma festividade relacionada à Lua Cheia. Na Babilônia, há 4 mil anos, havia um calendário com um ano formado por 354 dias organizados em 12 meses lunares. Cada mês lunar possuía, alternadamente, 29 ou 30 dias. Os egípcios também montaram um calendário baseado nos ciclos lunares. No Islamismo, o calendário lunar é utilizado para marcar importantes celebrações religiosas.
No folclore chinês é celebrado o Festival da Lua (meados do outono). É uma celebração de reunião familiar, da colheira e na Lua Cheia. Nessas festividades, as famílias preparam e presenteiam o bolo lunar, feito de massa fina de farinha de trigo, glucose e óleo, envolvendo um recheio denso e rico, que varia de pastas doces como feijão vermelho/preto, semente de lótus, nozes, até versões salgadas com gemas de ovo curadas ou carne, resultando em um doce rico, prensado e decorado com símbolos culturais. Enfeitam a noite com lanternas coloridas. Geralmente isso ocorre no 15º dia do 8º mês do calendário lunar, quando a lua está mais cheia e brilhante, geralmente em setembro ou outubro no calendário gregoriano. A deusa da Lua, celebrada pelo folclore chinês no Festival da Lua, vive na Lua e chama-se Chang’e (não confundir com Kuan Yin Pu Sa, a Deus da Compaixão e do Perdão).
No cristianismo católico, a imagem da Imaculada Conceição aparece com um pé sobre a Lua Crescente. Esse simbolismo é mencionado no livro do Apocalipse (12:1), onde uma “mulher” (Maria) tem o sol por manto, a lua aos seus pés e uma coroa de doze estrelas, vencendo o dragão (do mal). A imagem simbolizaria a “vitória sobre o pecado e o mal”, a pureza de Maria, e sua luz que vem de Cristo (o Sol), enquanto a lua representa a “humanidade pecadora” onde ela brilha como “guia sem mancha”.
A Igreja Católica não explica muito bem quando os textos mencionam o dragão e isso não é compreendido pelos orientais, para os quais os dragões são serem do bem, domesticados, por exemplo, pela Deusa da Compaixão e do Perdão, Kuan Yin Pu Sa. Essa deficiência cultural é também um pouco de desleixo porque na Bíblia fica muita claro que Jesus foi assediado por entidades espirituais demoníacas que adquiriam formas físicas diferentes, de cobras a outros bichos e até imagens de pessoas para enganá-lo ou confundi-lo. Inúmeros personagens da Bíblia foram assediados da mesma forma. Atualmente, é comum vampiros se transformarem para confundir pessoas e situações. Nos centros espíritas pouco protegidos, entidades se passam por outras para enganar e receber favores, confundir médios e pessoas que fazem consultas.
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17/01/2026

