Por José Joacir dos Santos (*)
A ansiedade não é uma doença, é um sintoma. No mundo atual, a maioria das pessoas se sente ansiosa ou é levada a ficar ansiosa todos os dias. Pode ser uma resposta da velha teoria do fique, lute ou fuja. Dependendo da constituição física e genética do indivíduo, diante de uma ameaça física ou verbal, em casa, na rua ou no trabalho, o sistema nervoso simpático libera hormônios como adrenalina e cortisol, causando alterações físicas como aumento da frequência cardíaca, palpitações, taquicardia, aceleração da respiração ou falta de ar, tensão muscular, dores físicas antigas, tremores, enjoo, dor abdominal, diarréia, calor desproporcional e formigamento nas mãos. Embora a ansiedade possa existir por si mesma, ela pode afetar e atuar em combinação com outros sintomas de diversos desequilíbrios emocionais. A ansiedade afeta diretamente o desempenho no trabalho, em casa, na vida particular. Sintoma é uma manifestação subjetiva de uma alteração na saúde ou no estado mental que apenas a pessoa afetada pode sentir e relatar.
Em 2005, cerca de 5% da população dos Estados Unidos sofria de algum tipo de transtorno envolvendo ansiedade. Dados recentes do National Institute of Mental Health (NIMH) e da American Psychiatric Association (APA) mostram que a estimativa subiu. De 66% a 70% dos cidadãos americanos relatam sentir ansiedade relacionada com a eventos atuais, política, economia, inflação e segurança no trabalho. Em um país onde não existe um sistema de saúde como o SUS brasileiro, o medo de perder o emprego aparece entre as principais preocupações. De acordo com artigo de Carolina Pessoa, Repórter da Rádio Nacional, publicado em 01/09/2026 – 08:54, no Rio de Janeiro, no Brasil, “o cenário se reflete no ambiente de trabalho, com um alto número de afastamentos por transtornos mentais”. “De acordo com o Ministério da Previdência, foram quase 200 mil afastamentos em 2021 contra mais de 546 mil em 2025”.
Profissionais definem a ansiedade como sendo o resultado de processos psicológicos e fisiológicos no organismo. Ela não é a mesma coisa que o medo, embora esteja relacionada a ele. A ansiedade é uma resposta ao perigo que alerta internamente — como um instinto — de que existe uma ameaça e de que o indivíduo pode perder o controle da situação. O medo é a reação a um perigo real, capaz de causar danos. O medo geralmente é passageiro, enquanto a ansiedade tende a durar mais tempo. Normalmente, é difícil determinar se a sua reação se deve à ansiedade ou ao medo; ambos coexistem em quase todas as situações, em proporções variadas. É mais importante identificar as causas dos seus sintomas do que decidir se se trata de medo ou ansiedade.
O indivíduo sob forte estresse emocional ou mental pode vir a sofrer, também, de crise de pânico ou transtorno obsessivo-compulsivo. Todas as memórias traumáticas da infância e adolescência podem vir à tona diante de situações tensas com um chefe carrasco, duro, frio, abusivo ou situações similares. Eventos específicos ou situações podem precipitar ataques de ansiedade e de pânico depois que se estabelece um padrão básico de resposta ansiosa às experiências da vida. Por exemplo, aquele adulto que, na infância e adolescência, teve a mãe ou o pai com distúrbios mentais, alcoolismo ou violência doméstica pode ativar as memórias desse passado diante um uma situação nova, no trabalho. Os sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) dividem-se em dois grupos principais: obsessões (pensamentos indesejados) e compulsões (comportamentos repetitivos).
O meio ambiente onde o indivíduo vive ou trabalha pode influenciar na maneira como a pessoa percebe a si mesma e aos outros. Um ambiente de trabalho tóxico, tenso, apreensivo, onde as pessoas vivem com medo do chefe ou do que alguém possa ir fofocar com o chefe pode desencadear ou ativar todo um processo oculto ou esquecido ou não percebido de ansiedade.
A ansiedade pode surgir se o indivíduo não conseguir encontrar uma forma de expressar seus sentimentos em seus relacionamentos pessoais. Isso é especialmente verdadeiro se a raiva ou a frustração for reprimida por muito tempo. É preciso aprender a dizer não e a definir os limites físicos, mentais e emocionais nos relacionamentos, inclusive no trabalho. Com algum desses históricos, a pessoa precisa buscar ajuda psicológica. É fundamental procurar um especialista. Ninguém consegue, sozinho, compreender com clareza o que está acontecendo com as suas próprias emoções.
(*)psicossomatista
em 05/09/2026
joacirpsi@gmail.com

Referência:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2026-09/brasil-lidera-casos-de-ansiedade-e-transtornos-mentais-no-trabalho
