Por José Joacir dos Santos
Uma das primeiras lições que você aprende nos cursos de fitoterapia, em países ocidentais, é que há flores comestíveis, mas você não deve comer aquelas vendidas em floriculturas, supermercados etc. Essas flores, vendidas com o propósito de enfeitar, geralmente são cultivadas com agrotóxicos e elas absorvem todos eles, inclusive as de jardins. Esse alerta é também para as flores destinadas a florais e remédios. Saber a origem delas é um divisor de água entre a segurança alimentar e o perigo de adoecimento. Flores de jardins, de cemitérios, de terrenos onde funcionam como depósito de lixo, aquelas que nascem em terrenos baldios, nenhuma delas podem ser usadas como alimento ou remédio, mesmo as conhecidas como comestíveis, mencionadas abaixo. Raramente você vai ver essa recomendação em países orientais porque a cultura local já sabe disso há milhares de anos.
Agricultores brasileiros têm pouco conhecimento sobre isso e precisariam aprender com os japoneses a separar as fores para enfeite, alimentação e remédio. Eles precisam também a cultivar sem agrotóxicos. No Brasil, existem quase quatro mil agrotóxicos liberados, inclusive alguns proibidos em outros países. O governo Bolsonaro liberou 2.180 agrotóxicos em quatro anos, batendo o recorde. A União Européia proibiu quase a metade daqueles liberados pelo governo Bolsonaro e o governo atual tenta rever as listas por causa da entrada da União Européia para o grupo de países do Mercosul.
Há muitas flores comestíveis que também servem como remédio. Uma das minhas preferidas é a flor de bananeira (Musa spp.). Há flores com diversas propriedades, que vão daquelas medicinais às que só se usa para tempero, como o cravo da Índia. O Brasil lidera o mercado mundial de florais não industrializado, isto é, realmente fabricados com flores.
Lavanda é velha conhecida de quem gosta de chá: calmante, digestiva, anti-inflamatória, reduz a ansiedade, melhora a qualidade do sono, alivia cólicas e dores de cabeça. Além disso, é utilizada na culinária, nos perfumes, nos oleos essenciais etc. Arroz com flor de lavanda é uma delícia. E as geléias? A geléia de rosas brancas é enebriante…
Flor de bananeira é conhecida, inclusive em outros países, como coração ou umbigo. Na medicina popular ele é cozido e desse cozimento surge um mel (lambedor) que é utilizado para melhorar a digestão, reduzir o açúcar no sangue e combater inflamações. É rico em fibras. As flores internas pode ser comidas cruas ou em saladas, bolos, sucos.
Capuchinha (Tropaeolum majus) – Toda a planta é comestível e há entre 30 e 50 variedades dessa planta. Tropaeolum majus é a espécie principal. A flor é levemente picante. Contém alto teor de vitamina C, carotenoides e fenólicos antioxidante. Contém grucosinolatos, que também existem no brócolis. É expectorante e diurética. Protege a pele e a imunidade do corpo. Atua como antibiótico natural. As folhas secas poder ser usadas para chás. A flor vai direto nas saladas.
Flor de yucca (Yucca guatemalensis) – Especialmente na América Central e México, a culinária fala muito em yucca. Você deve atentar para o nome científico da flor comestível que é Yucca guatemalensis. Muita gente confunde a flor da macaxeira (mandioca ou aipim) com as flores da Yucca (planta ornamental que pertence a outro gênero botânico). As flores brancas e grandes da Yucca são frequentemente consumidas em receitas internacionais, mas elas não pertencem à planta da macaxeira. No Brasil também há uma confusão entre mandioca (Manihot esculenta Crantz), macaxeira (Manihot esculenta) e aipim. Toda a estrutura da planta da mandioca — incluindo raízes, folhas, flores e frutos — contém glicosídeos cianogênicos. Essas substâncias químicas, quando mastigadas ou digeridas, liberam ácido cianídrico (cianeto), que é um veneno altamente tóxico para humanos e animais.
Primavera ou Buganvile (Bougainvillea spp) – O povo brasileiro adora colocar nomes diferentes em tudo. Buganvile é conhecida também como ceboleiro, pataguinha, pau-de-roseira, roseta, sempre lustosa. Existem mais de 60 variedades e cores. Todas são comestíveis. A buganvile primavera é também excelente trepadeira para decorar muros, paredes e currais. O chá da buganvile de tom roxo é indicado contra tosse. Usa-se os filamentos internos da flor chamados de brácteas. É antiinflamatória, expectorante e boa para sucos. Conbate fungos e certas bactérias, por isso é indicada também para cerca de currais de animais.
Hibisco (Hibiscus sabdariffa) – Quando criança, adorava comer a flor de hibiscus quando ela estava começando a se abrir. O ideal para chá ou salada é usar a flor fresca. Muitos dos chás de supermercados estão cheios de conservantes, alguns nocivos e sem indicar a procedência da flor. O chá é bastante ácido e tem sabor forte. Seu cálice vermelho de tom intenso é usado para preparar bebidas, chás e diversos pratos. Não deve ser consumido de estômago vazio. É indicado contra pressão alta e açúcar no sangue, mas, moderadamente. Combate o colesterol ruim (LDL). O ideal é tomar chá em xícara de tamanho médio, pouco maior que aquela do cafezinho e uma só vez ao dia. Não tomar quando estiver com diarreia.
joacirpsi@gmail.com, 30/07/2026

