Por José Joacir dos Santos
A entidade que chamamos de Kuan Yin, entre muitos outros nomes que ela recebe no mundo inteiro, é uma daqueles seres completamente dedicados a cuidar da humanidade, sem fronteiras, sem preferência de raça, sexo, religião ou nacionalidade. Por isso que sua energia é invocada em diversas religiões, em várias partes do planeta. Até no cristianismo ela é respeitada, embora a Igreja Católica, muito ocupada, nunca tenha se manifestado. Mesmo assim, conheço padres e freiras que conhecem muito bem Kuan Yin e têm excelente relação espiritual de amizade.
Como não se interessar por um ser que atravessa milênios praticando e ensinando a compaixão, a ajuda ao próximo, a benevolência, a compreensão, a paciência e a tolerância? Um dos aspectos mais raros contido na energia dela é a completa falta de interesse pela segregação religiosa. Cada um entra em contato com ela da maneira que sabe. Basta invocar, visualizar a sua imagem e a conexão estará feita porque o lema dela é: “Onde quer que haja sofrimento, para lá irei. O que quer que os seres necessitem, isso eu darei”. O budista pratica a conexão da maneira budista. Aquele sem religião e que não segue nenhuma filosofia de vida como o budismo, pratica do jeito que souber. O importante é se conectar com ela. Vale lembrar que a entidade Kuan Yin é venerada em todas as partes do mundo como masculina ou feminina. Eu chamo de ela, mas ela já ultrapassou, há milênios, essa simples barreira humana da sexualidade, já que ela não incorpora mais no corpo físico como nós e nem o mundo espiritual existe a sexualidade.
Aqueles mais estudiosos preferem colocar no centro da devoção o nome mais antigo dado a Kuan Yin: Avalokitesvara, em cuja simbologia o ser se manifesta como o Bodisatva da Compaixão, de mil braços, como símbolo profundo de misericórdia ilimitada e amor incondicional. Com mil braços e onze cabeças, esse ser divino representa a capacidade infinita de ajudar todos os seres em todas as direções, elementos e dimensões, físicas, mentais, emocionais e espirituais. Outro nome de Kuan Yin que pode ser invocado é Chenrezig, que aparece sentado numa lotus branca, com quadro braços, numa clara referëncia ao processo de ascenção no projeto de reencarnações.
O título de Bodisatva é concedido pela espiritualidade maior como “o ser compassivo que alcançou um elevado grau de despertar espiritual, mas escolhe adiar sua entrada completa no nirvana para ajudar todos os outros seres a se libertarem do sofrimento”. E o ser repete: independentemente de lugar ou dimensão que você vive, momento ou circunstância. Esse é um lembrete poderoso de que a compaixão não tem limites.
Na cultura ocidental há muitos preconceitos e desinformação retransmitidos de geração em geração desde os primeiros dias do cristianismo como religião. Sempre houve a intenção de confundir e atrapalhar a luz. Aqueles culturalmente limitados pelas próprias circunstâncias de vida facilmente ficariam assustados diante de um ser com 11 cabeças. Mas, para os povos do Oriente e da Ásia, que viveram milênios sem acesso à educação formal e à leitura (só as elites podiam ler e escrever), foi necessário que a espiritualidade providenciasse outras formas de transmissão do conhecimento através de estátuas, pinturas, templos e objetos. Ainda hoje há, em toda a Ásia e Oriente, escolas que usam estátuas, pintura e tankas para o aprendizado. Templos são maravilhosamente decorados em países como Nepal, China, Coréia, Japão etc.
As 11 cabeças representam a habilidade de perceber o sofrimento nas 11 direções e 7 dimensões do universo. Ela responde a todos os reinos com sabedoria e compaixão. Os mil braços simbolizam a manifestação infinita da compaixão e o poder de ajudar a todos os seres de inúmeras maneiras. Cada mão segura objetos ou forma “mudras”, representando diversos meios de aliviar o sofrimento e conceder bênçãos. Os mudras conectam os fios energéticos internos com a entrada da energia externa.
As mãos centrais em posição de prece simbolizam a compaixão protetora, enquanto outras mãos conferem força e destemor. A flor de lótus representa a pureza e o despertar espiritual; a joia, a compaixão que realiza desejos; o vaso, o néctar da imortalidade e da cura; e a roda, o ato de girar a roda do “Dharma”. O Dharma (ou darma) em sânscrito significa “aquilo que sustenta”, representando a lei cósmica, a ordem natural do universo e o caminho da conduta correta (na vida atual). É tudo o que você vivencia hoje no seu corpo.
A recomendação de Avalokitesvara é: praticar o bem, ajudar aos outros. Ter paciência e compreensão com a ignorância ou a falta de conhecimento ou de consciência da vida no corpo físico.
Não é necessário ter um altar para as invocações, conversas e práticas. Quem tiver, é importante manter o altar limpo, de preferência forrado com um pano branco de algodão. Nele você pode colocar uma estátua, uma foto, ou uma pintura de Kuan Yin em qualquer das formas que ela se apresenta. Pode acender incenso e velas (durante o dia). Pode colocar um copo com água pura, um cristal branco ou de qualquer cor e assim representar os cinco elementos (Terra, Água, Fogo, Vento e Espaço (no budismo) ou Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água (na medicina chinesa). Se, por alguma circunstância cultural ou religiosa você não puder ter seu altar em casa, compre uma pintura qualquer, mesmo que seja uma paisagem, consagre ela (com a oração que souber) com as mãos invocando Kuan Yin e pregue na parede que você melhor possa visualizar e emanar suas práticas.
Converse com a entidade, conte tudo, peça pela família, amigos, colegas ruins do seu trabalho, povo da rua, doentes nos hospitais, orfanatos, pessoas sem ninguém. Peça por seus inimigos do trabalho, da rua, da família, conhecidos e desconhecidos, para que todos sejam assistidos pela espiritualidade, sem julgar nenhum deles. Peça pelas florestas, rios e mares. Peça pela mudança climática para que os elementos na natureza se estabilizem.
Não precisa se apresentar formalmente, Kuan Yin já conhece você.
Lembre-se que Kuan Yin não presta muito atenção a pedidos seus de arranjar casamento, por exemplo. Ela se preocupa com seu ser universal e imortal, de muitas vidas já vividas. Mas ela lhe ouve, seja lá o que você tenha a conversar.
O mantra mais conhecido e invocado visualizando a imagem de Kuan Yin é OM MANI PADME HUM. Näo traduzimos mantras. Quando recitamos OM MANI PADME HUM estamos invocando a compaixão, para que todos os seres sejam despertados para a consciëncia universal cuja base é o amor. O rosário budista usado para recitar os mantras, sem precisar ficar contando quantas vezes já foi recitado, chama-se em sanscrito Mala. O ideal é recitar o mantra acima com a Mala e assim você estará recitando o mantra 108 vezes, o número da perfeição.
imagem da coleção particular do autor do texto.
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22/08/2026

