
Por José Joacir dos Santos
Nos quase quatro anos em que morei na Índia, me perguntava todos os dias por que a mortalidade não era maior. Também pensava não ser possível perceber a mortalidade, embora os locais de cremação estivessem sempre lotados, por causa da superpopulação do país. Nos primeiros seis meses em Nova Delhi, quase morri de desinteria, quase todos os dias, e eu só comia no restaurante de um hotel de quatro estrelas. Mas, quando deixava meus olhos de fitoterapeuta ver a paisagem, era fácil perceber que, mesmo as pessoas que comiam na rua, sem muita higiene e sem verificar a procedência da água utilizada na comida, tudo era servido com muita pimenta. Além disso, os locais cozinhavam com as especiarias mais anti-inflamatórias do planeta: cravo, cúrcuma, canela, gengibre, alho e pimenta do reiki (e outras espécies de pimenta).
Acrescente a isso o fato de que grande parte da população é vegetariana, por motivos religiosos ou econômicos. A presença da pressão religiosa é marcante e as vacas andam soltas pelas ruas, comendo tudo o que não é sadio, inclusive plástico, mas são consideradas sagradas e os indianos respeitam muito as religiões dos outros. Por essas e outras razões, eles precisam buscar substitutos alimentares e há uma infinidade de vegetais com funções anti-inflamatórias que fazem parte da dieta do povo indiano. Vale lembrar que há dois tipos de inflamação, segundo a medicina: a inflamação aguda, natural e saudável, como reação do corpo a uma lesão ou doença, e a inflamação crônica, que ocorre quando o corpo não consegue vencer a inflamação aguda. A inflamação crônica pode permanecer no corpo por semanas, meses ou anos.
Os alimentos mais anti-inflamatórios que os indianos consomem muito são: lentilhas, couve, gengibre, óleo de coco, alho, alecrim, repolho, chá verde. Outros alimentos anti-inflamatórios que estão na dieta universal são: romã, iogurte no estilo grego, quefir, uvas roxas ou escuras, beterraba, Kimchi (estilo coreano de preservar repolho), tomates variados, óleo de coco extravirgem (não aqueles em lata), broto de brócolis, framboesas (inclusive para pessoas diabéticas), Sementes de linhaça (moída com quinoa), alcachofra, mamão papaia, abacaxi fresco, abacate, azeite de oliva, aveia com mirtilo, salmão, sardinhas e almondegas. Todas essas opções podem ser cultivadas no Brasil. Por que será que o nordeste brasileiro não produz romã em larga escala, até para a exportação, se o clima é favorável?
Entre os vegetais que limpam o organismo estão: Salsão (aipo), rúcula, alcachofra, beterraba, agrião, espinafre, brócolis e couve. Durante muitos anos foi veiculada a informação equivocada de que beterraba era um perigo para a saúde. É o contrário. As vezes classes econômicas espalham boates para que a população não deixe de frequentar hospitais. Grande parte daquelas pessoas penduradas nos hospitais do SUS poderia ser tratada com a alimentação correta, dentro dos hospitais. Alguns dos alimentos listados acima podem ser ingeridos juntamente, por exemplo, aveia com mirtilo; cúrcuma nas carnes, com alho, gengibre e pimenta (a maioria das pimentas não precisa ser colocadas para cozinhar com a comida). Arroz pode ser cozido com semente de abobara, cenoura, alho-poró e chia. Um cravo da Índia na carne faz diferença. Uma pitada de pimenta-do-reino com ovo frito também. Um suco de goiaba feito da poupa ou da fruta também. É muito importante que os jovens pais se reeduquem para uma alimentação saudável e especialmente para repassar para seus filhos. Os idosos podem ter uma velhice muito mais suave se observarem a alimentação. Comer menos carne vermelha e mais carne de porco, legumes, vegetais e frutas. O Brasil é agraciado pela fartura de frutas. Em se plantando tudo dá! E a saúde agradece.
joacirpsi@gmail.com
em 29/08/2026
