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Espirito passa mensagem em sessão de acupuntura

Outros Assuntos/ Vidas Passadas/ Xamanismo

Por José Joacir dos Santos

Quando você tem uma antena parabólica que não entra de férias nunca, tem que estar preparado para chuvas inesperadas nos dias e horários mais inconvenientes possíveis porque as informações vão pingar e muitas vezes você nem consegue decifrar. Chame isso do que desejar. O que eu faço com isso é escrever. Houve um tempo que, por falta de experiência, sentia a necessidade de passar a informação para a frente. A experiência me ensinou. Quando a chuva cai no lugar e tempo errados, escrevo para não esquecer.

Tive a sorte de morar perto da faculdade de medicina chinesa e de ir buscar lá o conhecimento e os tratamentos necessários. Quem não precisa deles? É muito bom sentir uma dor de cabeça desaparecer apenas com uma agulhada no meridiano correto.

Cheguei pontualmente para a consulta e fui logo levado para a sala de atendimento. A médica chegou e se apresentou como sendo nascida no Vietnã. Na lapela, um nome cristão. O rosto e todo o corpo, asiático. Ao perguntar sobre o motivo da visita, desbulhei os assuntos mais urgentes que a gente sempre tem, mesmo quem se cuida como eu. Então, ela me preparou para a aplicação das agulhas de acupuntura, que para mim são um procedimento natural e confiável, desde que morei na China por seis anos e depois me aperfeiçoei no estudo da medicina chinesa.

Ela aplicou a primeira agulha no dedão do meu pé direito, depois no plexo solar, no braço direito e no rosto. Quem terá tido a idéia de colocar uma lâmpada bem acima dos olhos do cliente deitado na maca? Receptivo, comandei que meu corpo relaxasse e absolvesse os beneficios das agulhas de acupuntura, e ignorasse a lâmpada. Mas toda essa preparação foi interrompida. A médica estava do meu lado direito, me fazia perguntas sobre o que sentia em cada agulha e do lado esquerdo notei um calor externo. Abri os olhos e não vi nada. Fechei os olhos e a imagem de uma mulher oriental, de cabelos brancos, veio na minha mente, muito nitidamente. Quem é você, perguntei mentalmente e ela respondeu: sou a mãe de Nga. Você se refere à médica aqui do meu lado? Sim.

Um frio percorreu todo o meu corpo. A mulher manifestava sua felicidade em ser vista e ouvida. O que a senhora deseja? Dizer para a minha filha que estou bem, que nunca a esqueci dela, que sempre estive ao lado dela e que eu não morri envenenada como as pessoas pensavam. Eu não posso interromper meu tratamento e isso pode chocar a médica também. Eu também não tenho muito tempo, esperei por uma oportunidade como essa e tenho que ir embora, o meu tempo acabou. Vou reencarnar! Pode deixar que vou passar o recado… Ela me agradeceu e partiu. No momento em que ela partiu, senti um maravilhoso cheiro de rosas e abri os olhos. A médica estava do meu lado ainda e me disse: você dormiu rápido e comecou a falar mas eu não compreendi nada.

Eu tinha certeza que não tinha dormido e que aquele diálogo com o espírito da mãe da médica tinha sido dois ou três minutos. Olhei no relógio e tinham se passado vinte e cinco minutos. A médica começou a tirar as agulhas. Sentei-me na maca. A sensação era a de pleno descanso. Conversamos sobre o plano de tratamento na próxima sessão, mas na minha cabeça não saia a imagem daquela senhora e a minha  promessa em passar o recado.

A médica era muito simpática. Quando começou a se despedir, pedi que aguardasse um pouco e imediatamente perguntei se a mãe dela estava viva. Claro, ela iria ficar surpresa de qualquer jeito, percebi no seu rosto. Minha mãe? Sim, sua mãe! Estrangeiros que residem há muito tempo nos Estados Unidos se acostumam a não ter intimidade ou a camaradagem que existem entre brasileiros, mesmo desconhecidos.  Ela nem ninguém esperaria uma pergunta daquelas, ainda mais em um consultório médico.

Diante da negativa se a mãe estava viva, disse a ela que eu tinha tido um sonho com a mãe dela enquanto estava “dormindo” na maca. Ela se sentou. Pedi permissão para contar o sonho e mandei ver, da maneira mais suave possível. Ela ficou muito emocionada e lágrimas desceram pelo rosto. Imagine um oriental chorar na frente de um ocidental, ainda mais cliente. Mas, eu a confortei, sentado na maca.

Vi que ela não só estava assustada mas ao mesmo tempo curiosa. Observei que o nome na lapela dela não era o mesmo nome que a mãe dela tinha dito para mim. Assoletrei o nome que tinha ouvido da mãe dela. A médica se levantou e me deu um abraço. Não reagi, apenas coloquei minhas mãos sobre os ombros dela. “Ninguém nos EUA sabe como minha mãe me chamava. Era um apelidio de infância”… “singifica gracioso, elegante ou belo”.

Na próxima sessão a médica me disse que tinha passado todo o tempo lembrando da nossa conversa e da mensagem da mãe dela, que a tinha confortado muito. Que tinha sido adotada aos 7 anos de idade e educada por americanos no cristianismo. Tinha perdido completamente a conexão com a espiritualidade ancestral. Me fez várias outras perguntas básicas e pude lhe indicar livros. Eu também não pude esquecer esse assunto, mesmo se desejasse. Imagine quanto tempo aquele espírito esperou para encontrar alguém que pudesse passar a mensagem para a filha, em uma cultura onde o espiritualismo é minoritário. A filha me disse que frequentava uma igreja cristã todos os domingos e nunca aconteceu nada parecido com o que aconteceu naquela sessão de acupuntura. Disse que, provavelmente, a mãe era budista porque ela se recordava de ir com ela a templos budistas.

Esse episódio ficou na minha cabeça por muito tempo. O que mais me impressionava era a confiança que aquele espírito depositou em mim em um assunto tão sério e inesperado para mim e para a filha dela. Temos muito o que aprender ainda! Mas, confiar é o máximo! Tempo e lugar são apenas uma ilusão.

joacirpsi@gmail.com

em 17/09/2026

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