
Por José Joacir dos Santos
Antes de falarmos sobre as gorduras saudáveis, quais seriam as prejudiciais à saúde? Lobos vestidos de cordeiros, elas não são difíceis de achar porque chamam a sua atenção nos supermercados pelo preço, sabor e quantidade. Elas aumentam o colesterol ruim e elevam os riscos de problemas cardíacos, diz a medicina. São chamadas de gorduras trans, a gordura criada pela indústria, artificialmente, por meio da hidrogenação de óleos vegetais, para “dar textura e durabilidade aos alimentos”. Biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, margarinas em barra e frituras dos deliciosos e perigosos fast-food. Há que se ter cuidado com a porcentagens de sal incluída nesses produtos. E aquele óleo que faz coxinhas e fritas o dia inteiro nos shopping centers e pequenos restaurantes?
Gorduras prejudiciais são fáceis de encontrar em carnes gordas, manteiga, leite integral e derivados, óleo de coco enlatado ou engarrafado e óleo de palma. Precisamos ter muito cuidado com o óleo de coco de supermercados. Grande parte deles jamais deve ser consumida. O mais seguro é, ainda, o tipo extravirgem ou aquele que você sabe da procedência artesanal do mercado local. Não se recomenda os enlatados e importados.
Por muitos anos, a carne de porco e o toucinho eram condenados como gordurosos e perigosos. Não queriam que a gente progredisse e melhorasse a qualidade desse produto. Mas isso acabou. A União Europeia declarou, há alguns anos, que a carne de porco não é carne vermelha. É carne branca e, assim como a banha, é saudável e recomendável, bastando apenas verificar a procedência. Os chineses já sabiam disso séculos e são os maiores importadores de carne suína e derivados do Brasil. O torresmo de porco não é só delicioso, mas também saudável. O país se destaca entre os maiores produtores e exportadores globais de carne suína e a indústria nacional alcançou índices sanitários internacionais e competitivos.
O azeite de oliva extravirgem é considerado a gordura mais saudável, além de anti-inflamatório. Quanto mais puro, melhor. Alguns importados e bem tradicionais no Brasil não estão na lista dos mais puros. Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Peru já produzem excelentes azeites. As corduras consideradas saudáveis são assim classificadas especialmente porque favorecem a saúde do coração e reduzem o colesterol ruim. São elas: banha de porco, azeitona (principalmente as não industrializadas, frescas), semente de abóbora, pasta de amendoim ou o amendoim cru (digestivo), castanhas, almôndegas, sardinha, salmão, ovos, abacate e coco. Segundo profissionais da gastronomia, a banha de porco tem mais estabilidade térmica. Quando aquecida, reduz a liberação de compostos tóxicos comuns em óleos vegetais. É rica em monoinsaturados. Realça o sabor dos alimentos e não sofre oxidação precoce se comparada a óleos de soja, milho ou canola. Outro óleo, o de algodão puro, industrializado, é tido como benfeitor da saúde do coração e da imunidade.
Especialistas afirmam que as gorduras saudáveis contribuem para a “produção hormonal, a estrutura celular, a absorção de vitaminas, reveste e protege órgãos vitais e nervos”. Há um debate se as gorduras vegetais insaturadas (como o azeite de oliva e os óleos de girassol ou milho) são consideradas mais saudáveis para o coração do que a maioria das gorduras animais, que contêm mais gordura saturada. Da mesma forma que a pureza do azeite de oliva depende da procedência e do fabricante, a saúde de cada tipo depende do seu grau de processamento e do tipo de ácido graxo que possui.
Descubra você mesmo o que lhe deixa mais saudável. Cada dia mais é necessário escolher os alimentos e verificar a procedência. E também cresce a importância das feiras locais, com produtos cultivados por agricultores que você conhece ou pode conhecer. Ler o que está escrito nas embalagens das mercadorias ainda ajuda a você a deixar o produto lá na prateleira e buscar os mais saudáveis ou pelo menos aqueles que dizer ser fabricados com cuidado, pensando no consumidor.
joacirpsi@gmail.com
em 01/09/2026
