Por José Joacir dos Santos
Fiquei muito assustado ao assistir na televisão um grupo de robôs chinesas dançando, lado a lado com humanos, ao som de uma música oriental mesclada com artes-marciais. Não houve um só erro em cinco minutos de dança. A ciência robótica está em plena ascensão na China, como milhares de outras coisas. Se aqueles robôs, vestidos como humanos, são capazes de tal espetáculo de perfeição e beleza, imagine se forem treinados para lutar com armas na mão. Não duvido que isso já esteja acontecendo. A China não esquece “A arte da guerra”, do general e filósofo chinês Sun Tzu, que teria vivido entre 544 e 496 a.C.
A inteligência artificial que move aqueles robôs dançarinos é a mesma que copia livros de autores do mundo inteiro e nunca menciona a fonte. Ela se apresenta como a dona do mundo da sabedoria. Sabe de tudo porque copia tudo e ninguém impede que isso aconteça. A imprensa estrangeira notícia que milionários ateus fanáticos estariam efetivando a compra em massa de livros para copiá-los e destruí-los. Em grandes cidades americanas como Houston existem locais bem-organizados, arrumados, convidativos ao leitor sentar e ler qualquer coisa enquanto espera a avaliação dos livros que trouxe para vender. Certa vez fui a um desses locais com cem livros, alguns deles bem valiosos e me dispus a vendê-los, pensando que estava contribuindo para enormes bibliotecas. Esperei na fila durante três horas. Meus cem livros foram avaliados em 38 dólares, isto é, menos do valor de um daqueles cem. Como não tinha mais espaço para guardar aqueles livros, resolvi entregá-los e comprar, com o mesmo valor, um livro com páginas em branco. Ao comentar com um amigo que estava comigo, uma pessoa que estava perto me olhou, sorriu, se aproximou e disse, baixinho: daqui a uma semana venha aqui e procure um dos seus livros para ver se você acha…. Não vai achar, eles vão triturar tudo… Aquele lugar tem prateleiras cheias de livros, mas, aparentemente é só para atrair pessoas que queiram vender livros… para serem triturados.
Não sei se é teoria da conspiração, como dizem os americanos, mas o boato é que eles trituram tudo antes de copiá-los. É a mesma ideologia das sementes do agronegócio. Formaram enormes bancos de dados de sementes e desenvolveram tomate, melancia, limão, laranja e outras frutas sem sementes. Quem comprar não vai conseguir plantar porque elas foram desenvolvidas para não terem sementes. As sementes originais estão guardadas nos bancos de sementes, a sete chaves. Quem tiver a semente e a chave será o dono do mundo em futuro muito próximo. Assim será com o conhecimento. Uma semana depois voltei àquele local e não encontrei nenhum dos livros que vendi, e que eu tinha colocado pequenas marcas para identificá-los. Enquanto isso, a cada dia que passa bibliotecas são fechadas, do mesmo jeito que fizeram com as lojas de discos de áudio. Nos EUA, a imprensa diz que grupos poderosos retiram livros das escolas para substituir o conteúdo. Há livros proibidos nas escolas. Isso não é evolução, é depredação cultural.
Milhares de povos desapareceram da face da terra porque não deixaram registros. O povo da Mesopotâmia não só inventou a escrita como enterrou seus tabletes feitos de argila, hoje traduzidos em várias línguas e são muito avançados. Museus europeus mantiveram muitos daqueles tabletes escondidos por décadas, para não admitir que havia civilizações tão avançadas ou mais avançadas com que os povos europeus. Dizem que o império egípcio morreu porque a escrita foi reprimida e os painéis com figuras e letras eram de difícil acesso para as classes pobres, iletradas ou escravas.
Já o império português proibiu e censurou a publicação de livros no Brasil. “O Brasil não teve impressoras ou tipografias autorizadas até 1808 (com a chegada da família real), o que facilitava o controle sobre o que entrava na colônia. No século XIX, chegaram a existir comissões específicas de exame de impressos em províncias ultramarinas, como na capitania da Bahia entre 1811 e 1821”.
Agora a ameaça vem da milionários egocêntricos que só pensam em guerra. Cada um querendo dominar mais a inteligência artificial porque sabe que quem avançar nisso pode dominar o mundo. Já existem armas militares que tomam decisões sozinhas… Enquanto isso, nas escolas brasileiras, há crianças que terminam o primeiro e o segundo graus sem saber ler, escrever e interpretar textos. Filhos de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos, a maioria daqueles que estudam em escolas mais baratas, ou administradas por igrejas, completam 18 anos e não sabem mais assinar o próprio nome.
Imagine um grupo de robôs bem treinado, com armas nas mãos, e sob o comando de um daqueles ditadores da América Central que substituiu escolas e bibliotecas por cadeias…
joacirpsi@gmail.com
10/09/2026
