
Por José Joacir dos Santos
Quem não conhece a expressão “assim na terra como no céu”? Antes da Bíblia, ela já existia há séculos nas comunidades mesopotâmias. No budismo é muito fácil de se entender essa frase porque a natureza daquela filosofia de vida é usar o simbolismo didático, acessível, fácil de ser compreendido. Uma imagem vale por mil palavras. Quem não sabe nada sobre o budismo, tem muito o que aprender em uma viagem a Kathmandu, Nepal. Embora a religião majoritária no país seja, oficialmente, o hinduísmo, são os templos budistas e a tolerância religiosa reinante quem atrai turistas, essenciais para a vida econômica do país. Há um templo em cada esquina em Kathmandu, ricos em simbologia, cheios de estátuas, quadros e tankas. Foi lá que aprendi, ao vivo, sobre o significado visual dos multiplos braços de algumas entidades budistas e hinduístas. Há também a vantagem de você adquirir tankas retratando as entidades mais conhecidas.
Para o Oriente, o fato de uma entidade se apresentar com quadro braços não assusta porque essa cultura vem de milênios. É apenas um sinal de evolução espiritual. Geralmente as entidades exibem pelas mãos a simbologia de suas vidas, missões, conexões espirituais ou espiritualistas, isto é, dizem para que vieram. Tanto no budismo como o hinduismo e diversas seitas indianas, tibetana e asiáticas com mais de dois braços , demonstrando a capacitação de sua evolução espiritualO universo inteiro se comunica por símbolos. O símbolo pode nos guiar na conexão com os nossos corpos mental, emocional e espiritual. O médico Carl Jung revolucionou a simbologia ao definir o símbolo como entidade viva, que expressa conteúdos psíquicos do inconsciente coletivo. Infelizmente, evangélicos não têm esse conhecimento.
Naqueles templos em Kathmandu visitei muitos templos, grandes e pequenos, independente da religião ou da seita para apreciar a mensagem das mãos de suas entidades. Quatro braços representam amor-bondade, compaixão, alegria empática e equanimidade. Demonstram o progresso espiritual que a entidade já alcançou na hierarquia universal e que usa nas suas atividades. Seis ou oito braços representam a maestria sobre os venenos da mente: ignorância/ilusão; ganância/apego; aversão/raiva. Esses venenos são alimentados por quatro pares de sentimentos/emoções opostos que escravisam a mente humana: Prazer – buscar obsessivamente a satisfação imediata; Dor – o medo paralisante do desconforto físico ou emocional; Ganho – o apego ao acúmulo de bens, dinheiro ou conquistas; Perda – o sofrimento e o desespero ao perder o que possui; Elogio – a dependência do reconhecimento e das palavras doces dos outros; Censura – a fúria ou depressão causada por críticas alheias; Fama – desejo de ser popular, importante ou bem-visto socialmente; Insignificância: – o pavor do esquecimento ou da rejeição social.
Dentro dessa filosofia aparece a entidade que materializa 1000 braços. O que ela quer dizer com isso é que atingiu o estágio do olho que tudo ver, o amor incondicional, a compaixão. A entidade é Kuan Yin ou Avalokiteshvara, que também exibe mil olhos. Na medida em que o tempo passa, Kuan Yin se torna conhecida em todos os quadrantes do mundo e das dimensões espiritualistas. Ela também atingiu ao nível de compaixão suficiente (onisciência e onipresença) para não pertencer a religião alguma, já que é venerada por muitas delas. Há outros seres nesse caminho e trabalham incansavelmente pelo planeta.
Entidades mais graduadas e evoluídas no mundo espiritual aparecem em vários lugares ao mesmo tempo e se mostram de acordo com a necessidade do lugar ou das pessoas daquela comunidade. Em 13 de maio de 1917, na vila de Fátima/Portugal, três crianças foram surpreendidas com a aparição de Nossa Senhora, que pedia ao povo que rezasse o terço para proteger Portugal e a Europa. Em 26 de outubro de 1917, o comunismo se instalou na Rússia, cobrando aquela área do mundo de sangue. Nossa Senhora se antecipou e avisou cinco meses antes e as crianças guardaram o segredo do que viria, mas pediram ao povo que rezassem. Assim, é preciso respeitar tudo aquilo que as entidades celestiais evoluídas querem que a gente perceba, veja e aja de acordo. Por que tudo está assim na terra como no céu. O que varia é a hierarquia e a graduação do olho de quem observa. Por que a Nossa Senhora de Fátima escolheu aparecer para crianças? Por causa da pureza, humildade e simplicidade delas! “Os corações livres de malícia facilitam a escuta e a fé”.
joacirpsi@gmail.com
em 14/08/2026
