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O lado oculto do patentiamento na medicina

Fitoterapia/ Medicina Oriental/ Outros Assuntos

Por José Joacir dos Santos

Na década de 1910, o excêntrico milionário estadunidense John D. Rockefeller entrou para a história da humanidade como aquele que acabou com a medicina natural e o conhecimento popular no seu país. Em nome de uma “reestruturação básica” nas escolas de medicina, para beneficiar os seus próprios laboratórios farmacêuticos, lançou a seguinte proposta: a faculdade ou universidade que ministrasse cursos na área saúde, inclusive medicina alopática, que se alisse a seus laboratórios receberiam ajuda. Quem não aceitasse isso desapareceria do mapa. E cumpriu. Junto com a fundação Andrew Carnegie, lançou o tal “relatório Flexner”. “O relatório classificou práticas tradicionais — como a medicina herbal (botânica), a homeopatia e a naturopatia — como “não científicas”.

Rockefeller e Carnegie (instituição particular com patrimônio atual estimado em quase 6 bilhões de dólares), direcionaram fortunas a quem se aliou e o mesmo esforço foi feito para sufocar quem não se aliou. “Sem financiamento e sob forte pressão regulatória da Associação Médica Americana (AMA), uma entidade privada, a maioria das escolas de medicina tradicional faliu. Entre 1910 e 1935, o número de faculdades médicas nos EUA despencou, e os diplomas de terapeutas naturais deixaram de ser reconhecidos pelo Estado”. Comecou a “ilegalidade”, as perseguições e todo mundo passou a ser tratado como charlatão, mesmo aquelas escolas antigas e tradicionais, “especialmente as de menor porte, as voltadas para mulheres e negros, e as que ensinavam medicinas integrativas”. Práticas como a homeopatia e o uso de ervas medicinais foram rotuladas como não científicas e gradualmente excluídas dos currículos oficiais. O outro grande golpe foi sobre os medicamentos naturais e fitoterápicos. O poder econômico da dupla Rockefeller/Carnegie removeu o ensino de remédios naturais do currículo médico oficial, tornando os medicamentos patenteados o único padrão legal e aceito de tratamento.  Obviamente que ervas medicinais não eram patenteadas. E passaram a exigir que o resto do mundo seguisse os padrões por eles inventados. O próximo passo do domínio seria a implantação de pequenas fábricas em outros países, sob licença da que se tornou poderosa indústria medicinal, laboratorial e hospitalar dos EUA.

Hoje em dia, quem vai a um hospital nos EUA deve se preparar para vender tudo o que tem para pagar as altas contas hospitares. A “estruturação” dos Rockefeller criou um grande monstro. O simples transporte de uma ambulância de emergência (como o Samu do Brasil) pode custar a partir de 2.500,00 dólares, se o trasporte durar cerca de 9 minutos. Maiores detalhes dessa história está disponível na internet, inclusive na Wikipedia. “Não houve um decreto de proibição das ervas, mas sim o surgimento do monopólio da indústria farmacêutica” de propriedade particular de alguns ricassos que a história estadunidense tenta chamar todo aquele processo de moderninação, sem nenhuma concorrência pública.

Quem se espanta com os atuais escândalos financeiros envolvendo deputados, senadores, juizes, empresas privadas e milionários brasileiros, que não ninguém sabe como ficaram ricos, é porque não sabe que o esquema está apenas sendo copiado e que continua a existir em alguns países que se dizem democracias.

O grande emperramento da indústria brasileira de fitoterápicos é bem óbvio. Há inúmeros exemplos, mas vou citar apenas um: O pau-d’arco (também conhecido como ipê; nome científico: Handroanthus impetiginosus ou Tabebuia impetiginosa) é uma árvore nativa das florestas tropicais da América do Sul, com forte presença na Região Amazônica e em outras áreas da América Latina. Já é bem estudado. Possui propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antifúngicas, sendo muito utilizado na medicina popular na forma de chá feito com a casca. A primeira coisa que se nota na internet é que primeiro aparecem os “efeitos adversos” da erva mas não diz que estudos estão sendo feitos, que conclusões, que indicações. Há pelo menos quatro universidades brasileiras e uma portuguesa estudando o Pau d Arco, mas parecem dormir em cima das pesquisas. Enquanto isso, na grande mercado mundial da Amazon.com há inúmeras marcas que vão de capsulas a extrato de Pau d Arco, todas fabricados nos EUA, onde essa planta não é nativa. Só falta aparecer um medicamento “patenteado”, caríssimo, para câncer…

Relação entre a fundação Rockefeller e a Associação Médica Americana (AMA)

De acordo com pesquisa feita com auxilio da inteligência artificial, “a relação histórica entre a Associação Médica Americana (AMA) e a Fundação Rockefeller foi o pilar fundamental”, financeiro, para a criação e consolidação do modelo médico imposto pelos laboratórios farmacêuticos e outras empresas da família Rockefeller, no início do século XX. Juntas, elas impuseram “padrões científicos” dos seus laboratórios não só para os Estados Unidos mas para vários outros países, até hoje. O Relatório Flexner determinou, por conta própria, entre outras coisas, que apenas “escolas baseadas no método científico laboratorial” deles e na pesquisa acadêmica (de base biomédica dos laboratório deles) deveriam ser validadas. Nos EUA o dinheiro sempre fala mais alto…

“Embora a AMA detivesse o poder regulatório e político, é uma legalmente uma entidade privada”. Atua como um grupo de lobby e defensoria da classe médica americana, não dos clientes. Não possui poder de fiscalização jurídica nem emite licenças médicas, papel que nos Estados Unidos cabe às juntas médicas estaduais. Essa associação não possuía recursos financeiros para reestruturar as universidades por conta própria. Foi aí que entrou a Fundação Rockefeller, injetando centenas de milhões de dólares nas instituições que aceitaram adotar estritamente o novo currículo baseado na alopatia e no modelo biomédico” deles.

Na virada do século XX, a medicina nos EUA era descentralizada e composta por diversas vertentes (como alopatia, homeopatia e fitoterapia)”. Preocupada em controlar tudo o que poderia ser chamado de medicina, a AMA, financiada pela Fundação Carnegie e pela Fundação Rockefeller, impôs suas normas. Eles diziam que estavam preocupados com “a falta de padronização” mas não explicaram porque baniram o ensino das tradições populares, fecharam escolas, faculdades e pequenas universidades naturalistas, bem como baniram as práticas integrativas de saúde.

joacirpsi@gmail.com

em 19/09/2026

 

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