Por José Joacir dos Santos
Há um pássaro nativo da América do Norte e Caribe, reconhecido pelos índios nativos desde o século 19. Trata-se do cardeal-do-norte (Cardinalis cardinalis). É amplamente considerado um mensageiro espiritual, um símbolo de esperança e renovação e uma ponte entre os planos físico e espiritual. Sua plumagem é vermelha. Em filme recente, O Dia da Revelação (the disclosure day), Steven Spielberg incluiu o pássaro na trilha como mensageiro de extraterrestes.
Monges tibetanos usam mantos avermelhados, da cor de açafrão ou alaranjados porque essas cores tem muito significado naquela cultura. Na Índia também a cor está associada a panos baratos, tingidos de açafrão, usados pelos mais pobres. Para aquela cultura, a veste vermelha simbolizaria “renúncia aos luxos, a vaidade e a busca pelo aperfeiçoamento espiritual em vez da aparência”.
Já a cor vermelha no comunismo chinês uniria a tradição milenar da cultura chinesa, onde o vermelho, em reverência ao Sol, simboliza sorte, felicidade e prosperidade. Internacionalmente, a cor vermelha foi também associada a memória do sangue daqueles que morreram pela liberdade. A estrela vermalha do Oeste, do por-do-sol de vermelho-alaranjado com tons púrpura, não está mais, hoje em dia, vinculada ao comunismo. Essa ideologia se dissipou na cultura chinesa atual. A China largou o comunismo e hoje é a primeira economia do mundo, ultrapassando os Estados Unidos.
Por outro lado, o açafrão verdadeiro, extraído da flor da planta (Crocus sativus, não confundir com Curcuma), possui propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antidepressivas. Aqueles mantos tibetanos, pintados com o vermelho do açafrão, são perfeitos, medicinalmente falando, para quem vive longas horas em templos fechados, isolados, vulneráveis a virus e contaminação.
O pássaro cardeal-do-norte é também famoso por reconhecer, literalmente, aqueles que o protegem e lhe tratam bem. Ele se aproxima, lentamente, e espalha sua aura vermelho-dourada ao seu redor, enquanto canta e disfarçadamente recolhe um pequeno alimento. Para os índios nativos, esse relacionamento sempre esteve vinculado a algo maior, o poder de Deus. Ao aparecer próximo a um ser humano, o pássaro vem lembrar a esperança e a confiança em Deus. Em muitas outras culturas, o vermelho-laranja sempre esteve associado ao Sol, o poder de Deus, e a cor primordial do nosso chácra básico, que nos mantém de pé.
JOACIRPSI@GMAIL.COM, em 12/10/2026

CARDINAL
