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Por que a fitoterapia não avança no Brasil?

Fitoterapia/ Medicina Oriental

Por José Joacir dos Santos

Quem pode contestar a sabedoria e a eficácia da medicina chinesa e oriental? Todos sabemos quem tenta, mas não precisamos continuar a obedecer teorias mercantilistas de medicamentos, não é? O mundo está finalmente voltando a ser mundo e dando uma reviravolta em tudo. Antigos impérios também caem. Há séculos que o conhecimento popular tem sido massacrado e diminuído, com o aplauso de quem a gente menos espera. Basta uma pergunta: por que os indígenas brasileiros não desenvolveram uma medicina como a chinesa? A culpa não é deles…, claro.

O que aconteceu com a China foi o seguinte: depois da revolução comunista que assolou o continente inteiro, colocando por terra muitos pequenos países e reinados, o novo governo de Pequim se viu diante de um terrível dilema: o povo passava fome e não havia medicamentos nem médicos suficientes. Os médicos ocidentais ou tinham fugido do país ou morrido na guerra. Milhares de monges, que estudavam e indicavam chá e ervas, também estavam mortos. A revolução havia acontecido supostamente para acabar com regime autoritário, mas, quando ficou em pé, estava fazendo a mesma coisa que tinha combatido.

No decorrer da década de 1950, o governo chinês foi obrigado a dar uma canetada e promoveu a unificação e a sistematização das práticas integrativas tradicionais com a medicina ocidental (com os poucos médicos que restaram vivos), criando o conceito moderno de “Medicina Tradicional Chinesa” (MTC) para suprir, entre outras, a falta de médicos ocidentais. Somente em 2017, quando a China já exportava produtos (ervas, agulhas de acupuntura, médicos e medicamentos “unificados”), o governo legalizou o Marco Legal Definitivo e elevou a MTC a uma “estratégia nacional, regulamentando a qualificação de profissionais, o registro de medicamentos à base de ervas e a inclusão oficial da MTC nos hospitais públicos do país”. Mesmo assim, o povo nunca deixou de praticar o conhecimento popular.

A partir de 1989, comecei a usar todos os métodos possíveis já praticados nos hospitais de Pequim e a minha saúde se estabilizou. O Brasil nunca foi forte o sufienciente para reunir todo o conhecimento popular das cinco regiões do país e estabeler uma “medicina tradicional brasileira”. Imagine uma MTB no SUS? Não por falta de interessados. O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso alavancou algumas iniciativas e o primeiro governo do presidente Lula abriu o caminho para a legalização das Práticas Integrativas de Saúde. E parou aí. A cultura política brasileira sofre da falta de senso de continuidade do estado brasileiro. Os políticos só pensam em suas famílias, amigos e o mercado de troca de favores para as próximas eleições. Clãs e famílias empregama família inteira em cargos políticos, eleitos ou na parcela de troca de favores.

Em um país com cinco biomas fortes, somente 200  espécies de ervas medicinais e fitoterápicas são formalmente regulamentadas e autorizadas pela ANVISA.  Se você perguntar ao governo chinês quantas ervas e fitoterápicos são regulamentados na China prepare um grosso caderno… Muitas delas já estão também em farmácias de vários países, inclusive europeus, levando divisas para o país. Em qualquer grande cidade dos Estados Unidos, como São Francisco, Houston, Chicago, há farmácias só com produtos fitoterápicos chineses. A Índia também tem avançado nisso e a medicina ayurveda já é responsável até por hospitais psiquiátricos totalmente abastecidos com fitoterápicos e homeopáticos indianos e asiáticos.

Uma olhada rápida para tentar identificar quem são os vilões no caso brasileiro você vai acabar no mesmo ponto de 30 anos atrás: quem também trava o desenvolvimento dessa identidade brasileira são brasileiros vestidos de branco, supostamente com a missão de salvar vidas… A costa quente dessa barreira está no lugar onde sempre esteve: Congresso Nacional, ocupadissimo com seus assuntos pessoais, familares e as ligações perigosas que estampam nos escândalos da imprensa. E o povo continua votando em quem só trabalha contra a saúde popular. Parece existir uma cegueira coletiva que não percebe  isso. Adicione, agora, o impacto da derrubada e da queimada das florestas.

Ninguém pode apontar o dedo e alegar que falta material científico nacional. Há centenas deles, publicados por universidades de norte a sul do Brasil. Falta vontade política pró-povo. Não é vontade ideológica porque essa só trabalha contra o povo. Quando você analisa o perfil psicológico e ideais políticos de alguns candidatos a presidente da República em 2026, não chora porque tem vergonha. E o país continuará sem valorizar seus recursos nacionais de saúde.

joacirpsi@gmail.com

17/09/2026

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