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Vírus fatal na terra rara

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Por José Joacir dos Santos

O motorista acelerava a grande carreta, em rua apertada de pequena cidade indiana, carregando minério extraído de mina localizada onde nenhuma planta nascia há séculos. Ele só sabia que era minério e que seu trabalho era dirigir aquele grande automóvel. Mas algo não estava certo. Desde que chegou ao local, onde trabalhadores tossiam e se cossavam, ele percebeu também que sua respiração estava mais rápida, seu intestino roncava e se movimentava como se tivesse comigo algo estragado. Mas ele ainda não tinha comido nada naquela manhã.

A coisa foi apertando, a sensação de calor e frio aumentando até chegar o momento em que ele começou a gritar pela janela pedindo para alguém tomar o controle do carro. Ele mal conseguia raciocinar e não lembrava que ele mesmo poderia parar aquela carreta. Outro caminhoneiro emparelhou com ele e gritou que baixasse a marcha e começasse a apertar o freio. Ele conseguiu fazer. A carreta parou e ele não tinha mais forças para sair do carro. Curiosos se aproximaram e dois homens abriram a porta da carreta para arrastar o motorista de dentro. Ele já estava quase morto.

Não tinha como chamar uma ambulânicia naquele local porque não havia esse tipo de estrutura na vila. Um dos homens notou algo como uma barata no pescoço do motorista e abriu a camissa dele. Todo o tórax do homem estava tomado por bichos parecidos com baratas que saiam de dentro do corpo dele e se agarravam à pele externa. O homem largou o motorista, que acabava de morrer, e gritou para que não chegassem perto do cadável.

Não tinha onde ele lavar as mãos nem era um hábito local. Não demorou muito e ele passou a sentir nausea, dificuldade de respirar e cosseira por todo o corpo. Abriu a camisa e começou a gritar: socorro, socorro, tem bichos me devorando. Era impressionante a velocidade com que o virus contaminava, crescia, invadia o corpo pelo estômado e matava as pessoas. Ele se multiplicava e formava colônia do tamanho de uma barata, mais ou menos. O homem, desesperado, puxava para arrancar aquele bicho, mas eles se partiam em suas mãos e não soltavam o corpo dele. Era como um enxame de abelhas junto como se fosse um corpo só.

O vírus, se é que é a palavra apropriada para aqueles bichos, era quase invisivel, como piolho de pombos, muito pequeno, que entrava no corpo humano pelos povos, unhas, pelas narinas, olhos, ouvidos e qualquer outro orifício. Todo aquele minério estava contaminado. O vento jã tinha se encarregado de levar o virus pelo ar onde a carreta tinha passado. Milhares de pessoas iriam falecer até que a ciência tivesse um antidoto. Aquelas terras raras jamais deveriam ter sido cavadas. Aquele virus estava ali, adormecido, há milênios, e voltavam à vida com o aumento do calor naquela região. Eles eram como aqueles besouros colocados nos túmulos dos faraós do Egito.

Voltei para o meu corpo com uma forte sensação de nausea.

Eram 3.10 da manhã do dia 13 de setembro de 2026

joacirpsi@gmail.com

 

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